Do Livro do Desassossego

“O coração, se pudesse pensar, pararia.

Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também”.

(Bernardo Soares)

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Arte Urbana

parede

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I know not what tomorrow will bring – Fernando Pessoa

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O medo e a luz

Plato Cave

O medo é o estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência. in Wikiquote.

“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz” -Platão

“Aqueles que iluminam a vida dos outros trazem a luz em si”

Comecei por analisar a origem da palavra medo, aquela que se encontra sempre presente na nossa vida, que nos impede enquanto crianças como o sindromo da escuridao que assume formas estranhas, mas que quando chegamos a adultos nos torna prisioneiros. O meu unico medo e tentar compreender a luz que em cada nós existe… aquele que por vezes tentamos abafar por acharmos que o mundo nunca iria compreender. Será a luz o fim dos medos ou o seu inicio?

Estou aqui hoje num acto de reflexão, alguém que se tornou parte da minha vida pediu-me para pensar neste frase e por isso aqui estou neste exercicio de escrita e de exorcição dos medos. Platão é contraditorio ele mesmo que defendia que onde havia mta luz a havia sempre muita sombra é o primeiro a ser capaz de reconhecer que os nossos medos é nao sabermos lidar com toda a luz que a nossa condição humana pode gerar.

Assumo que não sei lidar comigo, a luz que eu posso ter dentro de mim acaba sendo dissolvida nos medo que tenho de me expor e mostar quem sou. Sendo assim como posso iluminar quem me rodeia se não sei me expor.

Falando no geral, a luz pode ser a realidade que todos os dias nos e imposta, quer na sua esplendorosa beleza que no ilumina ou na que nos obscurece do que é mesmo essencial.

Platão na sua alegoria da caverna, assume claramente que toda a nossa realidade é um conjunto de sombras, só parando e se atrevendo a descobrir podemos e arriscar a sair da nossa mente e do nosso mundo e ir mais além é possivel alcançar o verdadeiro conhecimento.

Acho que andei as voltas….. nada disse, como sempre … as minhas palavras não me iluminiram o caminho.

“We all walk in the dark and each of us must learn to turn on his or her own light.” ~Earl Nightingale

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(in)existência

Hoje quero mudar
pintar as plavras com mil e uma cores
acreditar que debaixo de um sol
existe uma gota de chuva
brilhante e pura com a imaginação

Pintar um quadro
fazer algo alegre
mas hoje estou muito cansado
Sempre posso ser outro
amanha….
amanhã

Jorge Cardoso 28/01/07

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Espera

cubos de gelos são as minhas ideias
sentimentos intelecutalizados que estão à espera
à espera da primavera das nossas vidas
um dia quem sabe o degelo talvez ocorra….

Jorge Cardoso 27/01/2007

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Nada

(…)Hoje nada do que eu diga nao passara de simples palavras a preto num fundo branco(..)

in as minhas conversas 26/01/07

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